segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Vada a bordo, CAZZO!

Lembrei-me da célebre frase do oficial da guarda costeira de Livorno, De Falco, ao comandante do Costa Concórdia, Schettino, ordenando seu retorno imediato à embarcação que estava a naufragar. 


Impossível não comparar esta situação à vivida no final de 2021.


Certamente que a presença física do Presidente não faria grande diferença no socorro às vítimas na Bahia, contudo, sua postura, seus atos e gestos seriam importantíssimos para o moral e acolhimento das vítimas. 


Trata-se da tal compaixão, ou da liderança de um general no campo de batalha, numa guerra.


Seus fiéis seguidores não vêem isso, dizem que o que tinha de ser feito está sendo executado pela equipe, por seus competentes ministros.


Ainda que fosse verdade, um exército necessita de todos, desde o soldado raso, sargento, capitão e até o general, que pode ficar no centro de comando, mas seus comandados e o povo a quem defende precisam confiar, empatizar, do contrário a derrota é certa!


Dar “zerinhos” em parque de diversão, passeios aquáticos com sorriso estampado e acenos, tal como os de um carismático popstar, não condizem com a severidade do momento, não aparentam preocupação, empenho e cuidado.


Se por ocasião do naufrágio na Ilha de Giglio  - sob a alegação de estar comandando à distância - o irredutível e  intransigente ex Capitão Schettino ouviu de seu superior em comando a famosa frase, neste caso é o momento de ordenarmos em alto e bom som ao Capitão da Reserva: 


“Vada a bordo, CAZZO!”


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domingo, 22 de maio de 2011

A Presidenta

Ainda é vivo em minha memória o fato de, a então prefeita de São Paulo, Luíza Erundina – nos idos dos anos oitenta – determinar a alteração das placas na sede da Prefeitura de São Paulo, ainda localizada dentro do Parque do Ibirapuera, para indicar seu gabinete como “Gabinete da Prefeita”.

Diria que este foi o meu despertar para a língua portuguesa! Pois sim: a partir de então passei a ler com interesse pessoal assuntos relacionados ao vernáculo. Justo eu, um péssimo aluno de línguas (quaisquer que fossem), desejei ter um domínio minimamente aprofundado do complexo mecanismo formal de comunicação lusitano utilizado no Brasil.

Isso tinha uma razão de ser, admito. Instintivamente supus que a aplicação de recursos públicos para cumprir um formalismo como aquele era – no mínimo – decepcionante, quanto mais em função de a cidade jamais ter sido dirigida por uma pessoa do sexo feminino, tampouco – ao que me constava – por um grupo político verdadeiramente de esquerda que surpreendentemente derrotara o ícone do conservadorismo naquele período, Paulo Maluf.

Chamá-la de Prefeita, de fato, era compreensível, contudo, o cargo – para mim – era o de Prefeito, o de gestor da municipalidade. Mas, pelas regras ortográficas, gestor era palavra masculina, cabendo a versão feminina, gestora. O mesmo aplicava-se a Governador. Minha angústia diminuiu quando pensei acerca da presidência: intui que nesse caso discussão seria inócua já que, da acordo com o dicionário, Presidente era expressão neutra, comportando ambos os gêneros.

Mais de uma década depois, um professor de língua inglesa (americano e recém desembarcado no País), expressou sua dificuldade em aprender o Português. Pedi que ele dissesse quais eram os pontos mais complexos ao seu ver e surpreendentemente tratou da questão do gênero das palavras.

Dei-lhe a explicação que recebera ainda no pré-primário, palavras terminadas com a vogal “o” são masculinas e com  “a”, femininas. Retrucou-me de imediato: e direção, profissão, mão, guidão, esfregão, bebê, sofá, professor? E foi mais adiante, como saber se algo está no plural? Interrompi-o, essa era fácil: basta verificar se a palavra acama com a letra “s”. O insuportável Yankee foi certeiro: e o lápis?

Admiti, nossas regras, mesmo as mais simples, eram complexas, com muitas exceções, mas seria esta a verdade? Infelizmente não!

Mais uma vez, vi-me impulsionado a compreender um pouco mais do idioma pátrio.

A língua oficial do Brasil é baseada na etimologia da palavra, ou seja, suas regras não são próprias, mas emprestadas de outras línguas das quais ela, a portuguesa, pretensamente baseou-se. Pretensamente, isso mesmo! Na realidade, o Português deriva do espanhol ou castelhano e não diretamente do latim, ou do grego antigo. Em síntese, seria possível afirmar que não há regras, mas convenções baseadas em complexa busca da exegese de cada uma de suas expressões, o que a tornou uma das mais difíceis para se ensinar, ou escrever!

Compreendido isso, resgatei de minhas lembranças a polêmica acerca da Prefeitura: ora, não seria fantástico se o Português tivesse o neutro, assim como o inglês, isso sem falar do latim? Pois é, novamente lembrei-me da expressão Presidente e fiquei encantado, pensando: já imaginou se a vogal “i” passasse a ser o artigo neutro, assim poderíamos dizer i bebê, i lápis, i Governador, i Presidente e no caso de palavras terminadas em “o” ou “a”, i Prefeiti, i Advogadi, i Dentisti. Bom, seria uma loucura, mas uma loucura politicamente correta e em linha com a igualdade de gênero.

De qualquer modo, cônscio de minha limitação e desconhecimento, cessei minhas especulações acerca da evolução linguística portuguesa, mas com um único alento: quando tivéssemos uma presidente, esse tipo de discussão não voltaria à baila... pobre de mim!

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domingo, 6 de março de 2011





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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Nostalgia

Há momentos na vida que sabemos que sentiremos saudades, ou seja, os melhores momentos são aqueles que sentimos a nostalgia do presente!

Ok, ok, aí vai:
Felizes são aqueles que sentem saudade daquilo que se vive a cada momento, a cada instante!

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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Êta saudade do Autoritarismo!

Nada de novo, pode ser de esquerda ou direita, pode até ser de centro, mas a ladainha é repetida: aproxima-se do final do mandato de um presidente, lá vem o grupo do continuísmo, com propostas cada vez mais mirabolantes.

O casuísmo toma conta de boa parte de nossos legisladores, pobres de nós!

O bom líder é aquele que facilita um grupo atingir suas necessidades, seus objetivos, já o populista prontifica-se em satisfazer as vontades momentâneas daquelas pessoas.

Praticamente o mesmo que os pais que estimulam o estudo de seus filhos, facilitam a prática esportiva, além de permitir o laser e entretenimento com certos limites e os outros que, de modo diverso, dão total liberdade, permitindo qualquer coisa, enchendo a casa de brinquedos, doces, ao invés de atenção, compreensão.

Os resultados em ambos os casos são conhecidos: no caso da política, países populistas têm sistemas falhos e caóticos, quanto ao processo educacional, basta que se observe a trajetória da maioria daqueles que obtiveram sucesso!

O casuísmo político de 2009 na verdade são dois: o 3º mandato para a Presidência da República e, pior, a extensão por mais dois anos (isso, por mais 2 anos) os mandatos do Presidente, Governadores e Deputados!!!

Mais incrível ainda é a justificativa dessa última proposta: Eleições unificadas!

Isso mesmo: os casuístas apoiadores dessa proposta pretendem unificar todas as eleições num único momento!

Inacreditável pensar nisso, quanto mais ter a audácia de sustentá-la em público, como fizeram alguns políticos.

Ora, a base da democracia é a consulta popular. Para tanto, são eleitos representantes e, quanto mais perfeito é o sistema, mais comprometidos para com quem votou são tais eleitos.

Imaginem a confusão que seria votar para Presidente, Governador, Prefeito, Senador, Deputado Federal, Deputado Estadual e Vereador num mesmo momento!

Lembremos que a expressiva maioria dos eleitores não se recorda em quem votou para deputados (federal, ou estadual), nem para vereador. Maior ainda é a dificuldade em saberem para que servem tais representantes, qual a diferença entre cada cargo, por qual motivo existem e qual o objetivo e abrangência de seus mandatos.

Pois é, os iluminados que propõem tal alternativa pretendem que votemos para 7 diferentes postos num mesmo instante!!! Qual a vantagem, segundo os mesmos, a economia e a estabilidade de alternamos todos os nossos dirigentes num mesmo momento?

Tamanha hipocrisia e cinismo escondem um evidente pensamento autoritário, dificultar a identificação dos eleitores com os seus representantes nas diversas esferas de poder, complicar ainda mais a compreensão do sistema representativo.

Democracia tem seu custo e as eleições nem de perto são os mais altos!

Fiquemos atentos, pois a defesa da democracia deve ser feita sempre, especialmente em países, como o nosso, com histórico de elite política populista e autoritária.


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sábado, 23 de maio de 2009

SEGURANÇA NOS ESTÁDIOS

Último jogo da semifinal do Campeonato Paulista de 2009. Convidados para assistir a partida no camarote de uma empresa de bebidas, chegamos alguns minutos atrasados no hotel onde partira o último transfer para o estádio Cícero Pompeo de Toledo, o Morumbi.

Ainda em frente ao hotel, encontramos um casal que – do mesmo modo – perdera o horário. Em função disso, dividimos a corrida de taxi para o estádio, já que todos voltaríamos no serviço de transporte da patrocinadora de tal camarote.

Por diretriz de segurança pública, a quota reservada para os torcedores dos adversários do São Paulo Futebol Clube era de algo próximo a 5%: praticamente uma partida de uma só torcida.

Ao chegarmos ao estádio, acabamos por seguir numa área isolada para os torcedores do Corinthians, contudo o acesso que deveríamos utilizar situava-se em local destinado à torcida dos mandantes.

Assim, caminhamos alguns metros ainda através dos corinthianos, mais adiante, por entre o cordão de isolamento da polícia militar, inclusive de sua montaria, para – após outros tantos poucos metros – adentrarmos na porção reservada aos são paulinos.

Chamou minha atenção o fato de alguns torcedores do Corinthians, num verdadeiro front, esbravejavam provocações, com ameaças à integridade física dos adeptos da outra equipe, entoando hinos de desordem, a poucos centímetros da linha de policiamento. Como não poderia deixar de ser, um cenário rigorosamente idêntico ocorria no lado do São Paulo, sem que eu percebesse qualquer repreensão ou atitude dos guardiões da ordem pública.

Já dentro do estádio, pude observar a evolução da infra-estrutura ocorrida naquela arena esportiva. Tal camarote localiza-se atrás dos assentos da geral, no anel inferior do estádio, local destinado a torcedores portadores de dificuldade de locomoção etc., o que implicava numa pacífica convivência de torcedores de ambas as equipes. Coincidentemente, o quinhão reservado aos corinthianos era o do anel superior, eminentemente acima àquele, o dos com dificuldade de locomoção.

Em virtude de sua arquitetura, as posições mais próximas ao gramado da arquibancada inferior podem ser atingidas por objetos lançados dos anéis superiores, possibilitando – inclusive – contato visual direto dos que se encontram nas porções superiores com os situados mais abaixo.

Pouco antes do início da fatídica – para os tricolores – partida, eu e meu amigo saímos do camarote e ficamos próximos ao gramado, isso em meio aos torcedores da geral. Obviamente, em poucos instantes alguns corinthianos passaram a nos provocar, isso pelo fato de que eu – naquele momento – vestia a camisa do São Paulo. Meu amigo, corinthiano nato, achou graça e ficamos por mais alguns instantes observando a movimentação. Ocorre, porém, que notei um crescimento rápido da agressividade das ofensas e pude perceber que alguns dos torcedores comportavam-se com ares de inimigos figadais. Por prudência retiramo-nos daquela área, evitando qualquer sorte de contrariedade que pudesse afetar tarde tão festiva.

Logo após isso, observei um torcedor são-paulino provocando o mesmo grupo de corinthianos o qual, por fortuna, não recebeu nada além de algumas cusparadas.

Tais eventos serviram para que eu refletisse e tecesse as seguintes ponderações:

Considerando a teoria da One Broken Window que embasou programa de Tolerância Zero implementado pelo então prefeito da cidade de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, segundo a qual, num bairro pobre onde todas as janelas das casas estavam intactas, estas assim se preservavam, indefinidamente, contudo, caso uma delas fosse quebrada e não se realizasse o reparo prontamente, em curto período uma enormidade de janelas de outras residências da mesma localidade eram depredadas.

Isso demonstra que um grupo de pessoas ao perceberem a boa conservação de uma localidade comporta-se de modo pacífico, sem promover danos à propriedade alheia, sem criar maiores distúrbios. Por outro lado, este mesmo grupo ao notar a ausência de ordem, isso pela simples falta de manutenção em uma única janela, sente-se livre, ou desobrigado a seguir padrões ordeiros.

Naturalmente que os tumultos não ocorrem sem que haja um percurso, sem que se decaia a sensação de ordem de presença da organização social, a ponto de grupos agirem com agressividade tamanha, que – na prática – suas ações passam a ser quase que complemente instintivas, animalescas.

Tudo o quanto exposto, é de uma obviedade repetida à exaustão por diversas vozes, contudo, algo que me intriga é a ausência de determinadas ações que, do meu ponto de vista, seriam eficazes e permitiriam que todos pudessem compartilhar saudavelmente a paixão futebolística.

Ora, os torcedores que incitavam à violência, e entoavam palavras provocativas, de parte a parte, claramente cometiam crime de incitação ao crime, previsto – ou tipificado – em nosso Código Penal (artigo 286), algo que, conforme o estatuto do torcedor, pode implicar no impedimento de comparecerem nos estádios, ou nas suas proximidades por um período de 3 meses a 1 ano (artigo 39 da lei 10.671/2003).

Certamente cenas como as que presenciei na entrada do estádio são corriqueiras, tanto que o policiamento estava diligentemente posicionado. Assim, deveria haver uma equipe preparada para deter alguns dos torcedores que compunham os front– sem qualquer agressão física, senão a necessária para retirá-los daquele local – os quais deveriam ser autuados e indiciados pelo crime, bem como submetidos levados ao juizado especial, a fim de que fosse aplicada a penalidade prevista no estatuto do torcedor. Certamente haveria uma grande dificuldade de instruir processo crime contra os mesmos, porém, o simples fato de serem retirados da frente do estádio e se virem impedidos de assistirem ao jogo e, posteriormente, serem forçados a cumprirem trâmites burocráticos até que se vissem livres de maiores problemas judiciais, serviria para os mesmos e para algumas das pessoas que estivessem próximas, como um forte desestímulo para que se comportassem desse modo em outra oportunidade.

Além disso, dentro do estádio, o policiamento deveria identificar alguns torcedores, por meio de imagens gravadas, em áreas de contato entre as torcidas rivais, retirando-os das arquibancadas para que os mesmos esclarecessem seus atos. Tal inconveniente seguramente atrapalharia a diversão de uns poucos mais exaltados, gerando um ambiente de receio para os demais, que via de conseqüência, teriam um desestímulo à incitação de desordem.

Tenhamos em mente que nós brasileiros somos cordiais e, certamente, tais torcedores convivem durante os dias úteis entre si, isto é, essa agressividade está relacionada com a aglomeração de torcedores.

Portanto, se tal ação fosse bem organizada e contasse com supervisão qualificada, focando em potenciais líderes das torcidas, seria um medida que rapidamente traria um ambiente mais pacífico, sem que houvesse a necessidade de aplicação de força excessiva, tampouco número elevado de prisões. Bastaria fazer sentir a todos que há ordem que há a presença do estado de direito.


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